Astrud Gilberto – I Haven’t Got Anything Better To Do (1969)

“A cantora dos vocais tons de mel

Astrud Gilberto fez sua aparição na música muito cedo. Durante anos percorreu uma estrada que resultou em quase uma dúzia de álbuns para a Verve Records e uma carreira de sucesso que durou até os anos 90. Embora sua aparição no estúdio para gravar “The Girl From Ipanema” fosse devida apenas ao seu marido João Gilberto, um dos mais famosos artistas brasileiros do século, o tom singular e quase inconfundível de Astrud impulsionaram a música nas paradas e influenciaram a uma grande variedade de fontes da música “pop” mundial.

Nascida na Bahia/BRA, Astrud mudou-se para o Rio de Janeiro com uma idade adiantada. Ela não teve nenhuma experiência musical profissional de nenhum tipo até 1963, ano de sua visita a Nova York com o marido, João Gilberto, em uma sessão de gravação liderada por Stan Getz. Getz já havia gravado vários álbuns influenciados pelos ritmos brasileiros, e a Verve Records o associou à nata da música brasileira, como por exemplo Antonio Carlos Jobim e João Gilberto. O produtor Creed Taylor queria alguns vocais ingleses para extrair o máximo da mistura Brasil/EUA. Aconteceu que Astrud surgiu como uma presente brasileiro contendo uma linguagem universal. Depois que seu marido concluiu seus vocais no idioma nativo [portugûes] para o primeiro verso da composição de Jobim, “The Girl From Ipanema“, Astrud surgiu com um segundo verso hesitante e fortemente acentuado, em inglês.

Astrud ganhou fama mais de um ano depois, quando “The Girl From Ipanema” se tornou um hit em meados de 1964. Getz/Gilberto tornou-se o disco de jazz mais vendido até aquele momento, e fez de Gilberto uma estrela em toda a América do Norte. Antes do final do ano, a Verve capitalizou aos montes com o lançamento do Getz Au Go Go, com as notas de Getz adicionada dos vocais de Astrud.

Seu primeiro álbum solo, The Astrud Gilberto, foi lançado em maio de 1965. Embora quase não tenha entrado no Top 40 [parada americana], o LP com a mistura de clássicos da música brasileira e americana provaram ser bastante contagiante, conquistando facilmente grande audiência.

Com o seu contrato na Verve Records chegando ao fim, Astrud se afasta ainda mais das suas raízes bossa nova em I Haven’t Got Anything Better To Do. Ao invés disso, ela elabora um escopo de algo parecido com o chamado de “pop barroco” de Burt Bacharach, cujo álbum Trains and Boats and Planes é lindamente renderizado aqui. Em suas anotações, Astrud o cita como “meu álbum de cabeceira” e, de fato, o disco é tão aconchegante quanto as canções próprias da artista. Apesar da melancolia que empresta tons de cinza e azul claro à todas as canções. Os arranjos de Albert Gorgoni são românticos e joviais, complementando perfeitamente os vocais simples e comoventes. Considerada equivocadamente uma nota média no repertório de Astrud, este álbum definitivamente é uma obra-prima. Se menor ou maior, eu não sei, mas cada música encontra uma forma de ser ideal para encaixar no jeito próprio de cantar da artista.

NOTA: 9/10.


Referências:


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