Jimmy Raney Quartet – The Master (1983)

“Ao mestre, com carinho”

Jimmy Raney é um guitarrista sofisticado e definitivo em seu estilo. Dono de um tom grave quase silencioso, que teve grande repercussão no universo do jazz. Ele trabalhou com grupos locais em Chicago antes de passar nove meses com Woody Herman em 1948. Desde então, ele estava nos principais agrupamentos do estilo, tendo ligações com Al Haig, Buddy DeFranco, Artie Shaw e Terry Gibbs. Seu trabalho com Stan Getz (1951-1952) também é fenomenal. Juntos, fizeram uma parceria musical clássica e cheia de inspiração. Raney também se sentia muito em casa no Red Norvo Trio (1953-1954) antes de passar seis anos trabalhando principalmente em um clube de música com o pianista Jimmy Lyon (1954-1960). Depois de tocar com Getz durante 1962-1963, ele voltou para Louisville e ficou fora da música por algum tempo, até finalmente ressurgir no início dos anos 70. Época durante a qual gravou muitas vezes para Xanadu. Ele trabalhou com frequência com seu filho, Doug Raney (que tem um som muito parecido com a guitarra) e foi menos ativo no final dos anos 80 e 90, até o seu falecimento em 1995.

Lançado pela Criss Cross Jazz em 1983, The Master mostra o mestre num de seus melhores desempenhos solo. O álbum foi idealizado para tocar os amantes do estilo de uma forma terna. E ele consegue! Apesar de o Jazz haver se tornado um estilo para uma pretensa elite no Brasil, em sua essência ele não é. Muito pelo contrário, o Jazz foi feito para os simples de coração e Jimmy sabia disto, tanto que, ao compor, ele o fazia da forma mais despretenciosa possível. Após acender seu cigarro e, ao pendurá-lo nas tarraxas da sua guitarra, ele não queria saber de guerra com ninguém. Aliás, o músico parecia se transportar para lugares onde nada podia incomodá-lo. Entrava num estado de flow e a música fluía como o ar que respiramos.

Tal como creditado na capa, nesta gravação Jimmy contou com a participação mais que especial do Kirk Lightsey, que figura como a outra voz desta narrativa musical.

Originalmente composto de 7 faixas, foi reeditado com a adição takes alternativos para as canções The Songs Is You e Tangerine, com variações perceptíveis apenas para os verdadeiros amantes do estilo e, claro, do artista.

NOTA: 10/10.


Referências:


2 comentários sobre “Jimmy Raney Quartet – The Master (1983)

  1. Que alegria ler um texto em português sobre o clã dos Raney! Produziram discos em quantidade e nível absurdos!
    Ambos estão no meu panteão dos guitarristas!
    Obrigado!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Meu amigo Rogério, que prazer tê-lo aqui no blog. Confesso que não conhecia e esse texto é uma daquelas rapidinhas do tipo que havia pedido ao nosso amigo, photorocker, Cris Machado. Trarei mais em breve! Muito agradecido!

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