Dire Straits – Brothers In Arms (1985)

“Nada pode apagar o fato de ter vivido algo tão juvenil e bonito”

Quem não conhece ao menos um hit deste disco? Brothers in Arms se beneficiou muito com a divulgação de Money for Nothing pela MTV, que o impulsionou para o topo das paradas em todo o globo. Mas também se pode dizer que o álbum já estava fadado ao sucesso por ser, de fato, um grande feito. Seu esquema de produção foi algo inédito – um caso típico DDD (jargão da época), que significa que foi gravado, mixado e masterizado digitalmente – que atraiu audiófilos de todo mundo e fez com que sua reputação fosse positivamente afirmada no sentido de ser um trabalho suntuoso e super moderno. Mas também se pode dizer que a banda contraiu uma dívida com o “rock de raiz”, pois alguns detalhes não passaram despercebidos como, por exemplo, os rosnados propositalmente suaves de Knopfler e os solos de guitarra extremamente limpos, que fez com que parte da crítica o chamasse de “pasteurizado”.

Uma tensão entre polimento e coragem foi evidente desde o início, mas não se pode acusar a banda de ser vendida pois eles sempre tocaram da mesma forma durante toda a sua existência e, a não ser pela produção – que era algo mainstream – a banda nunca fez algo para ser chamada de radical ou algo do tipo. Na verdade, era uma banda despretenciosa que cresceu por fazer as coisas de uma forma perfeccionista. Para todos os efeitos, o Dire Straits sempre foi uma banda muito mais artística do que comercial, ainda que, em determinado ponto de sua carreira, a indústria tenha se apropriado de alguns dos elementos menos transcendentes de sua música. O que não implica em perdas inestimáveis para o maioria dos fãs. Sempre foi mais como “uns caras com um puta bom gosto musical, mas com um senso de aventura contido que, de uma forma mágica, se tornaram rockstars.

Mas nada disso importa tanto se voltarmos no tempo e considerarmos que nos saudosos anos 80 tudo era feito com mais paixão do que com técnica. Havia um romantismo rebelde que todos queríamos experimentar e o Dire Straits alimentou esta fantasia de milhões de jovens pelo mundo. Nesse sentido, Brothers In Arms veio como o que de mais moderno poderia haver naquela época analógica e parecia nos colocar num futuro adulto e ao mesmo tempo divertido. A banda destilou um som cintilante que a elevava para o hall dos artista consagrados como Michael Jackson Lionel Richie. Esse equilíbrio delicado entre a arte da música e a atmosfera austera é a chave para o sucesso fenomenal do álbum: ele pode agradar tanto aos tradicionalistas quanto aos modernistas. Algumas das canções mais conhecidas da banda estão aqui, como a melancólica So Far Away e Why Worry, uma melodia tão adorável que os Everly Brothers a “coverizaram” logo após o seu lançamento, sem falar na maravilhosa canção que dá título ao álbum.

Ouvindo este disco décadas depois (esta semana), é possível até notar um certo senso de humor bem parecido com o que os padres modernos no mundo todo fazem uso no seu ofício pacificador, notadamente quando a guitarra de Knopfler desliza sobre os teclados de Clark. Mas nada, absolutamente nada pode apagar o fato de ter descoberto esta banda no auge do seu sucesso e de ter vivido com eles, algo tão juvenil e bonito.

Nota: 9/10.


Referências:


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