Zeca Baleiro – Líricas (2000)

Conteúdo integralmente reproduzido do site Mais Cultura Brasileira!

Quando a melancolia se torna presente, tudo se torna líricas. E foi justamente em um momento melancólico que o cantor Zeca Baleiro fez o melhor trabalho de toda a sua carreira, ao lançar no mercado fonográfico um disco totalmente triste, com músicas fúnebres e inquietantes e mensagens de lirismo profundo, absorto e tediante. Mesmo assim, Líricas não é um disco pra baixo, com teor duvidoso sobre o universo melancólico de Zeca Baleiro e sim um disco a altura de um grande cantor, de um excelente compositor e de um dos artistas mais cool dos últimos tempos.

Líricas (2000 / MZA / 24,99) é o trabalho mais contundente e sólido de um artista que estava trinando seu caminho. Com músicas realmente tristes ou sentimentais demais, o álbum tem em seu cardápio mensagens de amor, de ternura, de compaixão, do abstrato e do longínquo caminho que leva a separação de entes queridos (no caso de sua avó na canção mais triste de todo o disco) e amores impossíveis.

Regravando a pesada leva roqueira de Proibida Pra Mim num sentimentalismo puro e cabível de sortimentos, a música virou hit do momento pelas suas belas frases de amor e nesta música foi possível verificar a versatilidade de Zeca. Mas todas as canções são perfeitas para quem está levando uma triste vida, seja por questões amorosos ou não. Zeca representa em cada faixa um motivo de tristeza e as músicas são tão perfeitas para cada ocasião, que fica difícil dizermos qual a melhor faixa.

A voz de Zeca agrada e abafa holofotes de que ele seja sensacionalista ou paternalista com sua Maranhão. O que Zeca faz em Líricas é transformar a dor de uma melancolia em algo útil, aproveitado e rentável. Se os sentimentos de Zeca estavam aflorados neste álbum, com canções que beiram a loucura do abismo perdido e crua de pensamentos bons, esses sentimentos foram passageiros, porque seus outros discos são adversos a este.

Participação de Ná Ozzetti na bela faixa Banguela, os timbres de cantores tão díspares deixa nítido que a combinação tristeza versus alegria é dado como incerto para alguns momentos. Enquanto a voz de Zeca soa triste, o de Ná encanta pelo lirismo e sofisticação, deixando claro a permanência do uso vocal para extrair uma capacitação melhor a dualidade da música.

Seja como for, Zeca Baleiro nos impressiona tanto com este disco, que ele se torna, indiscutivelmente, em um representante nato do Nordeste e entra definitivamente para a seleta lista dos grandes cantores deste país.

Nota: 10/10


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